O que esperar dos mercados cambiais em 2019
2018 foi mais um ano particularmente rico em acontecimentos para os mercados cambiais.
No Reino Unido, o Brexit foi alvo de todas as atenções e manchetes, tendo criado um ambiente especialmente volátil para as bolsas de valores. Embora em novembro a primeira-ministra Theresa May tenha conseguido fechar as negociações com a União Europeia quanto à proposta de acordo para o Brexit, adiou a votação parlamentar prevista para 14 de janeiro. Este período prolongado de incerteza pesou muito sobre a Libra esterlina, que caiu em dezembro para o nível mais baixo desde abril de 2017, tendo já perdido cerca de 13% do seu valor, desde abril.

Como sempre, a política monetária tem desempenhado um papel significativo. A Reserva Federal continuou a aumentar regularmente as taxas de juro este ano, com a última subida em dezembro a marcar a quarta alta neste ano. Na Europa, o Banco Central Europeu tem estado muito menos ativo. Embora o BCE termine oficialmente o seu programa de estímulos monetários no final deste mês, manteve as taxas de juro estáveis e continuou a reiterar que o primeiro aumento desde 2011 ainda está muito distante. Isto contribuiu para um Euro muito mais fraco, que caiu em novembro para os níveis mais baixos registados desde há mais de um ano. Quanto ao Banco da Inglaterra, o governador Mark Carney e outros votaram a favor de outro aumento das taxas no Reino Unido, em agosto, embora qualquer mudança de política futura dependa diretamente do Brexit.

O presidente Trump também continuou a dominar as agências noticiosas. A sua retórica protecionista crescente aumentou os receios quanto à guerra comercial EUA-China, levando a um aumento dos fluxos de capitais de refúgio para o Dólar, o Iene japonês e o Franco suíço.

Piores desempenhos do G10 (acumulado do ano - YTD): Coroa sueca (SEK), Dólar australiano (AUD)

Piores desempenhos dos Mercados Emergentes YTD: Peso argentino (ARS), Lira turca (TRY)

Melhores desempenhos do G10 YTD: Dólar EUA (USD), Iene japonês (JPY)

Melhores desempenhos dos Mercados Emergentes YTD: Baht tailandês (THB), Peso mexicano (MXN)

Mas o que trará 2019 para os mercados cambiais?


Dólar americano



Apesar da recente subida das taxas, em dezembro, a Reserva Federal assumiu um tom notoriamente mais tímido nas últimas semanas. O presidente Jerome Powell afirmou que as taxas de juro estão agora perto de um nível neutro, o que leva a uma inflação estável e a um crescimento da economia a uma taxa previsível no longo prazo. As previsões de crescimento dos EUA foram revistas em baixa pelo Fed, em dezembro, com o último "dot plot” a revelar uma média de apenas duas subidas em 2019 contra as três alinhavadas em setembro. O mercado está agora mais firme em crer que não haverá qualquer subida em 2019 e que, em 2010, há maiores probabilidades de uma diminuição do que de uma subida da taxa.

No seguimento destas comunicações, pensamos que é provável haver uma pausa no ciclo de subidas do Fed no primeiro semestre do próximo ano, embora o FOMC ainda esteja a aguardar novos dados sobre a inflação antes de reavaliar a necessidade de aumentos no segundo semestre de 2019. Por isso, só veremos provavelmente uma subida do Fed nos próximos doze meses e mais lá para o final do próximo ano. Um ritmo muito mais lento de subidas do Fed no próximo ano vem ao encontro da nossa aposta numa ampla recuperação das moedas dos mercados emergentes contra o Dólar em 2019.

Quanto à guerra comercial EUA-China, estamos em crer que os receios são um pouco exagerados. As declarações bombásticas de Trump são em grande parte, a nosso ver, mero teatro político e mais uma tática de negociação do que qualquer outra coisa. A convocação de tréguas de 90 dias entre Trump e Xi na última reunião do G-20 é um sinal encorajador, e acreditamos que é provável um acordo comercial EUA-China no Ano Novo.

Euro



Com o risco político na Itália a diluir-se após a celebração de um acordo entre o Governo italiano e a Comissão Europeia sobre a meta de défice orçamental do país, o foco da Zona Euro em 2019 vai agora virar-se em grande medida para a política monetária. Como já referido, o BCE continuou a reiterar que as taxas mais elevadas continuam longe da linha do horizonte.

A inflação subjacente da Zona Euro, o principal indicador que o Banco Central tem em conta na sua determinação de políticas, permanece bem abaixo da meta, nos 1,0%. Até vermos uma recuperação sustentada desta medida, não vemos o BCE sequer a considerar o aperto da política. Por conseguinte, não apostamos numa subida na Zona Euro antes do quarto trimestre de 2019, ou mais provavelmente ainda no primeiro trimestre de 2020, caso a inflação não apresente em breve sinais de uma tendência ascendente.

Com a Reserva Federal e o BCE a manterem, ambos, a nosso ver, uma estabilidade nas políticas durante o próximo ano, a nossa previsão é de uma relação EUR/USD plana, em 2019, rondando um nível de 1,15.

GBP



As notícias macroeconómicas do Reino Unido tornaram-se irrelevantes nos últimos meses, com todos os olhos postos no Brexit. O primeiro grande obstáculo para Theresa May será obter a aprovação da sua proposta de acordo na votação de meados de janeiro. No entanto, esta aprovação parece quase certo não passar, salvo se houver uma reviravolta significativa, com uma série de deputados conservadores a afirmarem desde já que não apoiam o acordo na sua forma atual.

Caso a votação não passe, o Reino Unido ficará numa posição muito perigosa e enfrentará uma série de alternativas – sendo a probabilidade de cada uma delas quase impossível de prever com algum grau de precisão:

1) O Reino Unido deixa a UE sem um acordo, em 29 de março: sem dúvida que isto levaria a uma fortíssima desvalorização da Libra que, acreditamos, testaria os níveis baixos de janeiro de 2017 em termos GBP/USD. O comércio voltaria às regras da OMC, as tarifas aumentariam, os preços subiriam e o crescimento correria o risco de se tornar negativo.

2) São reabertas as negociações com a UE: a UE afirmou repetidamente que não haverá novas negociações; no entanto, se confrontada com um Brexit “sem acordo”, poderão ser feitas concessões adicionais.

3) É revogado o artigo 50.º: a decisão do TJE em dezembro garante que o governo do Reino Unido poderia simplesmente forçar o Brexit.

4) É adiado o artigo 50.º: Esta opção também já foi negada recentemente pela UE, embora permaneça uma possibilidade.

5) É convocado um novo referendo: no seio do parlamento britânico tem havido inúmeros pedidos para um novo “voto do povo”. Os mercados de apostas estão agora a apostar 40% na possibilidade de haver um novo referendo no ano que vem, apesar de Theresa May ter descartado essa possibilidade. Para tal, teria de haver primeiro eleições legislativas. GBP Positiva – uma probabilidade de 50/50 de o RU permanecer na UE.
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