Dólar recupera com falta de progresso nas negociações comerciais e fragilidade da Zona Euro
O Dólar registou uma recuperação acentuada na passada semana face a todas as outras moedas do G10, seguido de perto pelo Iene japonês e pelo Franco suíço.
As moedas especialmente alavancadas no ciclo económico, como a Coroa sueca e o Dólar australiano e neozelandês, tiveram um desempenho particularmente fraco. A ausência de boas notícias nas negociações comerciais EUA-China contribuiu para assustar os investidores e enviá-los para portos seguros, tal como os dados pouco animadores de vários países da Europa. Enquanto isso, também não há progresso nas negociações do Brexit e o relógio continua em contagem decrescente, embora a Libra tenha conseguido acompanhar o ritmo do Euro.

Na próxima semana, estarão disponíveis relativamente poucos dados. O foco continuará a estar nos desenvolvimentos políticos, incluindo a retoma das negociações comerciais entre os EUA e a China e novas votações sobre alterações ao acordo do Brexit, no Reino Unido. Nos EUA, os investidores aguardam os dados sobre a inflação, divulgados na quarta-feira, para definir as suas perspetivas de eventuais subidas em 2019.

EUR



Uma série de dados pouco positivos que saiu da Zona Euro incluiu a produção industrial alemã e as encomendas à indústria alemã, em dezembro. Com a rendibilidade dos títulos da Alemanha a 10 anos a aproximar-se de zero, o Euro não conseguiu manter os níveis de 1,14 em relação ao Dólar e caiu para mínimos de 2019 de cerca de 1,13 em relação ao Dólar americano. Continuamos a pensar que esta fragilidade recente é temporária e que o efeito combinado de dados ainda fortes do mercado de trabalho e uma política monetária muito estimulante exclui qualquer possibilidade de uma recessão no curto prazo. No entanto, estamos a acompanhar de muito perto os dados da Zona Euro.

GBP



O Banco de Inglaterra reuniu-se na quinta-feira passada e fez uma avaliação bastante cautelosa do estado da economia. No entanto, a incerteza em torno do Brexit e a possibilidade de uma saída sem acordo continuam a centrar a atenção dos mercados cambiais. A total ausência de notícias sobre esta questão fez com que a Libra tivesse acompanhado o Euro muito de perto face a todas as outras principais moedas.

Nesta semana teremos dados sobre o PIB do quarto trimestre (segunda-feira) e a inflação (quarta-feira). No entanto, a maior parte da ação do mercado deverá acontecer na quinta-feira, quando o Parlamento britânico votar uma série de alterações às negociações do Brexit.

USD



O Dólar conseguiu navegar através de dados económicos de segunda linha relativamente fracos. Embora nenhum fator isolado possa explicar a subida do Dólar, a ausência de boas notícias inequívocas em qualquer das frentes abertas (Brexit, acordo comercial da China, ...) levou os investidores nervosos a procurar a segurança de moedas de refúgio, tendo o Dólar beneficiado desse facto. O foco principal desta semana, além da possibilidade de um avanço nas negociações comerciais com a China, serão os números da inflação de janeiro, que serão conhecidos na quarta-feira. Uma surpresa positiva na inflação subjacente pode levar os mercados a considerar novamente a possibilidade de subidas pelo Fed em 2019.
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