Dados fracos na Zona Euro e maiores rendibilidades das taxas nos EUA fazem Dólar disparar
Novos dados pouco animadores sobre os principais indicadores da atividade económica do PMI assolaram o Euro e arrastaram para baixo todas as outras moedas europeias, que perderam entre 0,8% e 1,5% esta semana.
A Libra Esterlina teve um desempenho particularmente fraco, com a União Europeia a rejeitar a tentativa da primeira-ministra May de obter concessões adicionais para o acordo do Brexit, depois de ter cancelado a votação parlamentar que certamente perderia.

Todos os olhos estão agora postos na reunião da Reserva Federal desta semana. Espera-se que o Comité FOMC aumente as taxas, mas o principal será saber até que ponto a trajetória esperada para os aumentos em 2019 será revista em baixa. As manchetes políticas em torno do Brexit e o conflito comercial entre os EUA e a China também devem contribuir para a volatilidade cambial.

EUR



Houve desenvolvimentos positivos para o Euro em Itália, com o Governo a propor uma nova meta revista para o défice de 2% do PIB, que pensamos ser bastante próxima de um nível aceitável para a Comissão Europeia. Estas notícias, no entanto, foram ofuscadas por uma nova queda nos indicadores da atividade económica do índice PMI. Grande parte da queda deveu-se às manifestações dos chamados “coletes amarelos” em França, que parecem estar a retroceder, mas, mesmo assim, continuam em números preocupantes e que merecem atenção nas próximas semanas. O BCE também parece estar preocupando, tendo declarado na reunião de dezembro que os riscos mudaram para o lado negativo. Não vemos agora nenhuma probabilidade de um aumento do BCE no terceiro trimestre de 2019, pelo que atrasamos a nossa previsão até dezembro de 2019, embora mantenhamos, por enquanto, as previsões em relação ao Euro, enquanto aguardamos os números de janeiro sobre a inflação e o PMI.

GBP



A volatilidade e a incerteza continuam em alta para a Libra neste aproximar do final do ano. O cancelamento da votação do Parlamento na terça-feira e a recusa da União Europeia em entrar em novas negociações substanciais foram pancadas compreensivelmente duras para a Libra, que acabou por ter um desempenho inferior a todas as moedas do G10, à exceção da Coroa norueguesa. A gravidade da situação é corroborada pela decisão da Comissão Europeia de avançar com os preparativos para um Brexit sem acordo. Paradoxalmente, o fracasso de Theresa May aumenta as possibilidades de um exercício de última hora, em que o Brexit é adiado para além do prazo de 29 de março, abrindo talvez as portas a um novo referendo.

USD

Os fortes dados relativos à inflação e às vendas a retalho, publicados nos EUA, parecem confirmar a ideia de que não há no horizonte quaisquer sinais de recessão nos EUA, que provavelmente serão cruciais para a decisão do Comité FOMC quanto a uma subida na reunião desta semana. Estamos em crer que o Fed irá rever significativamente em baixa as previsões relativamente às suas próprias políticas, como declarações cautelosas de alguns dos seus membros parecem indicar. A previsão média para 2019 deve cair de três aumentos para um. Embora os mercados das taxas de juro tenham antecipado tal movimento, não temos certezas de que os estrategas e os economistas o tenham feito, o que abre a porta para uma potencial desvalorização do Dólar, caso as nossas suspeitas se revelem corretas.

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