Dólar cai abruptamente enquanto as moedas dos mercados emergentes recuperam em força; Brexit dificulta a vida de uma Libra em queda

Enrique Díaz-Álvarez24/Sep/2018Análise do Mercado de Câmbios

Na semana passada, uma ampla valorização generalizada dos ativos de risco afetou as moedas de refúgio em geral e o Dólar em particular. Recuperações acentuadas das moedas dos mercados emergentes e das moedas mais maltratadas do G10 significam que o desempenho do Dólar ficou abaixo do dos seus principais pares, à exceção do Iene japonês. Apesar disso, a Libra Esterlina não conseguiu tirar partido da debilidade do Dólar, reagindo às notícias de que as negociações do Brexit tinham sido bloqueadas pela rejeição do “plano Chequers” pela UE, que atingiram a Libra, na sexta-feira, e, em poucas horas, deitaram abaixo todos os ganhos da semana.

Estamos agora a entrar na quarta semana de queda do Dólar. A questão é saber se se trata apenas de uma fragilidade temporária ou de uma tendência sustentada, resultante da convergência das políticas monetárias do G10, à medida que cada vez mais bancos centrais seguem a Reserva Federal e começam a apertar a sua posição. A reunião da Reserva Federal desta semana, juntamente com a conferência de imprensa e as projeções dos economistas, fornecerá dados críticos para responder a essa questão. Quaisquer desenvolvimentos políticos do Brexit serão também seguidos atentamente pelos traders da Libra, depois das más notícias e do triste desempenho da semana passada.

EUR

Uma semana muito tranquila em termos de notícias na Zona Euro significou que o desempenho do Euro resultou das reações às notícias de outras partes do mundo. Seguiu obedientemente a recuperação geral face ao Dólar dos EUA, mas perdeu parte desse ganho em resultado das más notícias de sexta-feira sobre o Brexit.

Cada vez mais nos concentramos na inflação como fator crítico para o futuro aperto do BCE e, consequentemente, para a direção futura da taxa cruzada EUR/USD. Esta semana também saberemos os dados provisórios da inflação relativa a setembro. Para que o calendário das subidas no 3.º trimestre de 2019 se mantenha em dia, é necessária uma tendência inequívoca de subida da inflação subjacente na Zona Euro muito em breve. As previsões para os números desta semana, na sexta-feira, estão abaixo de 1%. Qualquer subida, ainda que muito ligeira, terá um impacto positivo na moeda única.

GBP

A Libra Esterlina registou uma das semanas mais voláteis este ano. Dados inesperados de uma subida da inflação anteciparam as perspetivas de subida das taxas pelo Banco de Inglaterra e suportaram a Libra. No entanto, as notícias de que a UE tinha rejeitado categoricamente o chamado “plano Chequers” da Primeira-ministra Theresa May e de que as negociações do Brexit estavam em risco de colapso, atingiram os mercados, tendo a Libra registado o seu pior desempenho diário desde o colapso do referendo.

Com poucas notícias esperadas no Reino Unido, prevemos que a negociação da Libra Esterlina continue a reagir aos rumores e cabeçalhos em torno das negociações do Brexit.

 

USD

A reunião da Reserva Federal desta semana avizinha-se particularmente importante. Embora se espere outra subida no dia seguinte, as comunicações do Fed acarretam uma incerteza substancial. Parece que os mercados estão à espera de uma revisão acentuada em alta das previsões do Fed para o crescimento, a inflação e, talvez, para as taxas futuras no famoso “dot plot”. Porém, apesar disso, o Dólar já está em queda há três semanas consecutivas. Estamos em crer que os riscos para o Dólar podem pender para o lado negativo, se o Fed mantiver praticamente inalteradas as orientações da última reunião.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.