Dólar sobe pela terceira semana consecutiva enquanto investidores cobrem posições curtas em dólares

Enrique Díaz-Álvarez08/May/2018Análise do Mercado de Câmbios

Numa inversão das recentes tendências, a volatilidade dos mercados financeiros esteve concentrada nos mercados cambiais, mesmo quando os índices acionistas e as obrigações se mantiveram em intervalos de negociação apertados. O destaque da semana foi novamente para o Dólar, que subiu face a todas as divisas do G10 e as principais moedas dos mercados emergentes. Tendo em conta que nem a reunião da Reserva Federal nem os números do emprego norte-americano trouxeram nada de novo, a principal fonte de força do Dólar parece ter sido as posições no mercado. Os investidores especulativos continuam a deter um volume considerável de apostas contra o Dólar norte-americano e, à medida que a valorização do Euro perde força, apressam-se a cobrir essas posições, impulsionando durante este processo a subida do Dólar.

Esperamos esta semana alguma volatilidade na negociação, após a publicação dos dados da inflação norte-americana, na quarta-feira, e a reunião decisiva do Banco de Inglaterra, na quinta-feira; ainda que quase todas as expectativas apontem para a manutenção das taxas de juro inalteradas por parte do Comité de Política Monetária, não se pode afastar por completo a possibilidade de um aumento surpresa.

EUR

A semana passada assistiu à publicação de mais uma série de dados económicos fracos para a Zona Euro. A descida inesperada da inflação subjacente, em abril, de 1% para 0,7%, deve-se em parte a efeitos de sazonalidade relacionados com o período de férias da Páscoa. Ainda assim, faz-nos questionar as previsões do BCE sobre a subida da inflação no ano corrente e no próximo e, logo, a possibilidade de conclusão do programa de compra de ativos, em 2018.

Esta semana afigura-se bastante tranquila em matéria de divulgação de dados, pelo que o principal catalisador da evolução do Euro deverá ser a reação dos responsáveis do BCE aos fracos dados da inflação, nas respetivas comunicações aos mercados.

GBP

Na passada semana, a Libra foi vendida massivamente contra o Dólar norte-americano, terminando a semana praticamente inalterada face ao Euro. Não se pode dizer que seja um mau resultado, tendo em conta os índices de atividade empresarial PMI, aquém das expectativas, e as notícias sobre os poucos avanços das negociações do Brexit.

Todas as atenções estão agora voltadas para a reunião do Banco de Inglaterra, na quinta-feira. O consenso mudou e, nas últimas duas semanas, tem vindo a posicionar-se contra uma subida das taxas de juro, após os comentários em tom mais moderado de Mark Carney e a publicação de dados fracos sobre a economia do país. A grande questão será a divisão de votos no Comité de Política Monetária. Um resultado com mais de dois votos favoráveis ao aumento imediato dos juros será um fator positivo para a Libra.

USD

Tanto a reunião da Reserva Federal, na quarta-feira, como o relatório do emprego norte-americano, na sexta-feira, corresponderam em larga medida às expectativas. A Fed deixou os mercados em dúvida quanto ao número de futuros aumentos das taxas de juro em 2018, se dois ou três. A criação líquida de emprego em abril ficou ligeiramente abaixo do esperado, o que foi compensado pela revisão em alta dos números dos meses anteriores. Quanto aos restantes dados do relatório, mais do mesmo, ou seja, o desemprego voltou a descer para 3,9%, enquanto o crescimento dos salários não conseguiu acelerar, ficando-se pela taxa anualizada de 2,6%. O destaque desta semana vai para a publicação do índice de preços no consumidor, na quarta-feira. Uma eventual subida da inflação subjacente da atual taxa de 2,1% (logo, acima da meta fixada pela Fed) daria certamente lugar ao aumento dos juros das obrigações norte-americanas (yields) e à valorização do Dólar dos EUA.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.