Principais divisas permanecem em intervalos estreitos, enquanto mercados ignoram receios de guerra comercial

Enrique Díaz-Álvarez09/Apr/2018Análise do Mercado de Câmbios

Os operadores do mercado cambial continuam a adotar uma atitude despreocupada em relação às medidas comerciais que vão sendo anunciadas por Trump. A Libra, o Euro e o Dólar permaneceram em níveis muito próximos dos níveis do início da semana e, além de uma ligeira recuperação do Dólar canadiano, pouco se passou no mercado cambial do G10. Mais animada foi a ação nos mercados emergentes, onde o Real do Brasil, a Lira turca e o Rand da África do Sul perderam terreno. A moeda que mais perdeu foi o Real, num contexto em que a detenção de Lula, de longe o candidato mais popular para as próximas eleições presidenciais, abalou os investidores.

A semana que se inicia será tranquila em termos de divulgação de dados macroeconómicos ou de política monetária. Poderá registar-se alguma volatilidade em torno da publicação das atas da última reunião da Reserva Federal, na quarta-feira, e da reunião de março do BCE, na quinta-feira. Muito mais importante será, contudo, o relatório da inflação norte-americano referente ao mês de março, publicado na próxima quarta-feira.

EUR

A inflação da Zona Euro registou um aumento em março, para os 1,4% anualizados, impulsionada pela subida dos preços da energia. No entanto, o indicador mais relevante da inflação subjacente, que exclui as componentes voláteis, manteve-se em 1% pelo terceiro mês consecutivo, muito abaixo da meta “próxima, mas abaixo de 2%” fixada pelo BCE. Na sequência desta notícia, o Euro registou uma queda ligeira e nem os fracos dados do relatório do emprego norte-americano foram suficientes para o reconduzir ao nível em que havia iniciado a semana. Tendo em conta que esta semana a publicação de dados será reduzida, não se espera que a moeda única teste os limites do seu recente intervalo de negociação de 1.21-1.25.

GBP

Os fracos resultados dos inquéritos PMI realizados às empresas, na passada semana, foram atribuídos ao tempo excecionalmente frio registado em março, pelo que a Libra conseguiu, em grande medida, ignorá-los e terminar a semana a ganhar, em especial face ao Euro. Numa semana de agenda pouco preenchida em termos de dados económicos, salvo os números da produção industrial divulgados na quarta-feira, e em que não se esperam notícias relevantes sobre o Brexit, a Libra deverá ser influenciada por acontecimentos externos.

USD

À primeira vista, o relatório do emprego de março apresentou dados fracos. No entanto, é provável que tal se deva, em grande medida, a um ajustamento estatístico, tendo em conta os dados muito fortes do mês anterior. No primeiro trimestre de 2018, os EUA criaram mais de 200.000 empregos por mês, um pouco acima dos números de 2017, e continuam a absorver a folga do mercado de trabalho norte-americano. O crescimento dos salários aumentou para 2,7%. O mercado ignorou, em grande medida, a fraqueza dos números e o Dólar não se moveu.

Esta semana, o destaque vai para o relatório da inflação de março e para as atas da última reunião da Reserva Federal, ambos publicados na quarta-feira. Quanto ao primeiro, um eventual incremento na taxa de inflação subjacente deverá servir de apoio à moeda norte-americana.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.