Libra e Dólar canadiano a subir com notícias positivas sobre os acordos Brexit e NAFTA

Enrique Díaz-Álvarez26/Mar/2018Análise do Mercado de Câmbios

Mais uma vez, os mercados cambiais mantiveram-se, em grande medida, à parte da turbulência criada pelos crescentes receios de uma guerra comercial. Enquanto os mercados acionistas afundaram naquela que foi a sua pior semana desde 2016 (devido a preocupações com as potenciais retaliações da China aos planos de taxas alfandegárias de Trump), quase todas as moedas do G10 permaneceram dentro dos respetivos intervalos de negociação. As exceções foram a Libra, que beneficiou do acordo para o período de transição do Brexit, e o Dólar canadiano, que valorizou acentuadamente com base em dados fortes da inflação e notícias positivas sobre as negociações do acordo comercial NAFTA.

Os mercados entram hoje na semana tradicionalmente tranquila de Páscoa. Destaca-se a publicação das estimativas rápidas da inflação para a Alemanha, França e Itália, no final da semana. Se os níveis da inflação se mantiverem baixos, a situação poderá complicar-se para o Euro.

EUR

Estamos a notar alguns sinais iniciais de que o forte crescimento da economia da Zona Euro poderá já ter atingido o seu limite máximo. Os índices de atividade empresarial PMI registaram uma quebra significativa em março, embora mantendo níveis elevados. Na Alemanha, o indicador de confiança dos investidores ZEW também ficou aquém das expectativas. É muito possível que estes indicadores de confiança estejam a reagir exageradamente à possibilidade de uma guerra comercial e da aplicação de tarifas aduaneiras a nível global, e que tais efeitos se vão desvanecendo à medida que as atenções da administração Trump comecem a desviar-se da atual oratória protecionista. Ainda assim, são dois indicadores que vale a pena continuar a observar.

O Euro, por seu turno, mantém-se firmemente dentro do intervalo de negociação de 1.21‑1.25, do qual não deverá sair, tendo em conta que esta semana são poucos os dados macroeconómicos divulgados para a Zona Euro.

GBP

Na passada semana, a Libra continuou a recuperar num contexto de boas notícias sobre as negociações do Brexit e uma votação surpreendentemente dissonante no Comité do Banco de Inglaterra. A Libra iniciou a semana em tom positivo, com a notícia de que se tinha chegado a um acordo para o período de transição do Brexit, e continuou a subir depois de se saber que dois dos nove membros do Comité de Política Monetária divergiram da decisão de manutenção dos juros e votaram a favor de uma subida imediata da taxa diretora.

Estas vozes dissonantes, a par dos dados fortes do emprego, publicados na passada semana, parecem dar como certa a subida das taxas na reunião de maio. Consideramos que a valorização da Libra face ao Euro ainda tem espaço para prosseguir, à medida que o mercado começa a descartar essa possibilidade.

USD

A reunião da Reserva Federal resultou no esperado aumento das taxas de juro de referência. No entanto, a Fed não correspondeu totalmente às expectativas de uma orientação mais restritiva, que tinham sido descontadas pelo mercado. Mesmo o aumento das projeções do gráfico “dot plot” para três subidas de juros em 2019 pouco suporte deu ao Dólar. Finalmente foi o anúncio da aplicação de tarifas alfandegárias norte-americanas aos produtos chineses que acabou por dar força ao Dólar dos EUA, tendo esta divisa valorizado face à maioria das moedas dos mercados emergentes e perdido ligeiramente face a quase todos os pares do G10.

Esta semana, importa ver se o Dólar começa a reagir aos movimentos nos ativos de risco, como as ações. Até agora, esta separação entre os mercados cambiais e os outros mercados financeiros tem sido uma das maiores surpresas de 2018.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.