Principais divisas em intervalos estreitos com mercados na expectativa da reunião da Reserva Federal

Enrique Díaz-Álvarez19/Mar/2018Análise do Mercado de Câmbios

O Dólar, a Libra e o Euro negociaram num intervalo muito estreito, num contexto de escassez de notícias de relevo e face à iminência da decisiva reunião de março da Reserva Federal. Os Dólares canadiano, australiano e neozelandês registaram uma certa fraqueza na reação à debilidade geral dos ativos de risco, enquanto a Lira turca liderou as perdas entre as moedas dos mercados emergentes.

Esta semana, espera-se o regresso da volatilidade aos mercados cambiais, acompanhando a vaga de comunicações dos bancos centrais. Além da decisão da Reserva Federal, o Banco de Inglaterra, o Banco da Reserva da Nova Zelândia e os bancos centrais da Rússia e do Brasil, entre outros, vão igualmente divulgar as respetivas resoluções em matéria de política monetária.

EUR

A quase inexistência de dados significativos para a Zona Euro, na semana que passou, refletiu-se na negociação da moeda única dentro do intervalo mais estreito que temos observado nas últimas semanas. Esta semana advinha-se igualmente tranquila, sem dados ou notícias relevantes de política monetária na agenda. O Euro deverá negociar com base nos comunicados emitidos pelos principais bancos centrais, nomeadamente nos EUA e no Reino Unido.

GBP

Todas as atenções estão viradas para a reunião do Banco de Inglaterra, na quinta-feira. Consideramos que existe potencial para um movimento de subida da Libra, se o Comité de Política Monetária sinalizar um novo aumento das taxas diretoras na reunião de maio e, possivelmente, tentar incrementar um pouco as expectativas relativamente às taxas a médio prazo. A divulgação dos dados da inflação, na terça-feira, e da taxa de desemprego, na quarta-feira, rematam uma semana invulgarmente preenchida para a Libra.

USD

Na passada semana, a publicação de um relatório de inflação que correspondeu por completo às expectativas deixou pouca margem para grandes movimentos no Dólar dos EUA. O despedimento do Secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, considerado geralmente como uma força moderada na Administração Trump, veio refrear a apetência pelo risco nos mercados acionistas e de matérias-primas, mas pouco pesou na trajetória do Dólar dos EUA.

O mercado já descontou por completo um aumento das taxas de juro de referência esta semana. Por conseguinte, a atenção recairá em todas as comunicações da Fed, mais precisamente, o gráfico “dot plot” relativo às expectativas para a futura evolução das taxas de juro e o Resumo das Projeções Económicas. Espera-se observar um claro desvio em sentido ascendente nas projeções de subidas dos juros no curto prazo, o que poderá ter um efeito muito estimulante na trajetória do Dólar dos EUA esta semana.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.