Dólar recupera com publicação das atas da Reserva Federal e a subida dos juros da dívida nos EUA

Enrique Díaz-Álvarez26/Feb/2018Análise do Mercado de Câmbios

A passada semana assistiu ao regresso em força da tradicional relação entre juros da dívida e divisas. As atas da última reunião da Reserva Federal não deixaram qualquer dúvida de que o aumento das taxas de juro, em março, é um facto garantido, o que fez com que as yields da dívida norte-americana atingissem novos máximos deste ano. O Dólar acompanhou essa subida e terminou a semana a ganhar face a todas as moedas do G10. O pior desempenho da semana pertenceu à Coroa sueca, que caiu acentuadamente após a publicação de dados da inflação abaixo das estimativas, adiando assim as perspetivas de normalização da política monetária por parte do Riksbank.

A semana que se inicia tem uma agenda relativamente pouco preenchida em termos de divulgação de dados macroeconómicos, pelo que a política europeia deverá ser o principal fator impulsionador dos mercados. Além do fim da campanha eleitoral para as eleições em Itália, no próximo fim-de-semana, também os sociais-democratas alemães vão a votos para decidir se querem juntar-se ao governo de coligação de Angela Merkel.

EUR

Na sequência dos dados económicos maioritariamente fracos publicados na passada semana, aliados à valorização geral do Dólar, a moeda única sofreu uma queda acentuada face à divisa norte-americana. Os inquéritos à atividade empresarial PMI apresentaram, todos eles, resultados abaixo das estimativas, embora se mantenham em níveis elevados. As atas da última reunião do Banco Central Europeu acabaram por não trazer nada de relevante. Neste contexto, o recém-alargamento dos diferenciais das taxas de curto prazo em relação às taxas norte-americanas, que atingiram novos máximos neste ciclo, pressionou a descida do Euro.

Esta semana, as atenções na Zona Euro viram-se para a vida política. As eleições legislativas em Itália deverão dar origem a um parlamento confuso e inconclusivo. Na mesma data, na Alemanha, os militantes do SPD vão a votos para decidir se querem fazer parte do governo de Grande Coligação com o partido dos democratas-cristãos de Angela Merkel. Embora as sondagens indiquem uma ligeira vantagem do sim, o nível de incerteza mantém-se elevado. A sessão dos mercados cambiais na noite de domingo 4 de março deverá, por isso, ser interessante e volátil.

GBP

A Libra apresentou um desempenho bastante bom esta semana, terminando no segundo lugar entre as moedas do G10, logo atrás do Dólar dos EUA, e a ganhar 1% face ao Euro. Para tal, contou com o suporte das declarações em tom mais interventivo dos representantes do Banco de Inglaterra na Comissão Parlamentar do Tesouro, assim como com as notícias de que o Governo está mais perto de alcançar uma posição unânime sobre o Brexit.

Além dos dados do inquérito da atividade empresarial para o sector da indústria, publicados na quinta-feira, o principal evento para a Libra será o discurso do Vice-Governador do Banco de Inglaterra, Jon Cunliffe, esta segunda-feira. A nossa expectativa é de que confirme que o Comité de Política Monetária decidirá um aumento das taxas de juro já em maio, em consonância com as nossas previsões.

USD

No início da semana, a publicação das atas da reunião do Comité FOMC de janeiro, que revelaram um tom mais interventivo, colocou o Dólar em tendência de alta. De realçar que os dados que têm sido publicados para os EUA, desde aquela reunião, são ainda mais propícios a uma subida das taxas de juro da Reserva Federal. Os dados da inflação e dos salários, em geral, surpreenderam, ficando acima das estimativas. O aumento das taxas de juro, em março, é agora quase certo, e o mercado aproxima-se cada vez mais da nossa estimativa de quatro subidas dos juros em 2018.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.