Dólar recupera em clima de instabilidade nos mercados acionistas

Enrique Díaz-Álvarez12/Feb/2018Análise do Mercado de Câmbios

Os mercados financeiros, na passada semana, foram dominados pela volatilidade dos principais mercados acionistas mundiais. Após meses de subidas contínuas ininterruptas, as ações registaram finalmente uma forte volatilidade com quedas repentinas, embora seja de notar que, mesmo nos piores níveis da semana passada, os índices mantinham-se, ainda assim, muito acima dos níveis de três meses antes. De princípio, os mercados cambiais foram poupados à turbulência. No entanto, no final da semana, começaram a evidenciar o comportamento típico de “fuga para ativos seguros”, fazendo o Dólar dos EUA disparar face a todas as moedas do G10, com exceção do Iene.

Esta semana são publicados os dados da inflação nos EUA e no Reino Unido. Consideramos que o mercado está vulnerável a qualquer surpresa positiva na inflação norte-americana. Um dos efeitos possíveis será uma subida clara das yields acima dos intervalos de variação de vários anos, com o Dólar a acompanhar e a valorizar face a todas as moedas principais. Igualmente benéfica para a divisa norte-americana deverá ser a continuação da volatilidade nos mercados acionistas, enquanto os gestores de risco, em todo o mundo, forçam o fecho das transações cambiais ultimamente mais populares, incluindo as muito sobrecarregadas posições longas, em Euros.

EUR

Numa semana parada, de poucas notícias sobre economia ou política monetária, o Euro negociou sobretudo com base em dados externos. A moeda única manteve-se firme, no início, mas parece ter sido penalizada pela desalavancagem resultante da turbulência dos mercados acionistas, tendo terminado a semana a perder 2% face ao Dólar dos EUA. O acordo para um governo de coligação na Alemanha não foi suficiente para suportar a moeda única.

A semana que hoje se inicia é igualmente ligeira em termos de dados sobre a Zona Euro, esperando-se assim que o Euro seja influenciado por fatores técnicos, como a cobertura de transações que seguem a tendência longa, em Euros.

GBP

A Libra Esterlina registou alguma volatilidade forte, na sequência do tom interventivo da mensagem saída da reunião do Banco de Inglaterra, na passada quinta-feira. O Comité de Política Monetária sugeriu que as expectativas do mercado em relação a um futuro aumento das taxas de referência deviam ser antecipadas, esperando-se agora uma subida, em maio. Face a estas notícias, a Libra disparou, para logo a seguir recuar, numa conjugação de fatores como as advertências da UE sobre as negociações do Brexit e a desvalorização generalizada (sell off) nos mercados.

Os números da inflação de janeiro, publicados esta terça-feira, assumem uma importância acrescida, tendo em conta a mensagem do Banco de Inglaterra. Consideramos que os riscos tendem para uma evolução positiva. Um número forte deverá dar um bom suporte à Libra, em especial face ao Euro.

USD

A causa imediata mais evidente que tem sido apontada para a queda global das ações é a reavaliação das expectativas para os juros norte-americanos, com a toda a estrutura temporal de taxas sob pressão nos EUA. O crescimento mais acelerado dos salários e algumas surpresas positivas na inflação forçaram os mercados a ponderar a possibilidade de quatro aumentos das taxas de juro da Reserva Federal em 2018. Neste contexto, os dados da inflação de janeiro, publicados esta quarta-feira, são decisivos. A continuarem os números fortes registados ultimamente, a yield dos títulos do Tesouro a 10 anos poderá ser forçada a aproximar-se do nível chave de 3%, o que poderá originar ganhos acentuados no Dólar dos EUA.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.