Dólar pressionado por ambiente político nos EUA e Libra suportada por "short squeeze"

Enrique Díaz-Álvarez22/Jan/2018Análise do Mercado de Câmbios

Numa semana de negociação encurtada por um feriado nos EUA, com poucos ou nenhuns dados económicos relevantes, foi a vida política que concentrou as atenções dos mercados cambiais. Este contexto não favoreceu em nada o Dólar, à medida que cresciam as evidências de que o Senado norte-americano não chegaria a acordo, de modo a manter o funcionamento do Governo Federal para além de sexta-feira. O Euro, por sua vez, não beneficiou muito com a fraqueza do Dólar e terminou a semana perto dos níveis em que havia começado. Em destaque estiveram a Libra Esterlina, que valorizou face a todas as restantes moedas do G10, com exceção do Dólar australiano, e o Peso mexicano, que apresentou o melhor desempenho entre as principais moedas. A primeira foi suportada pelas notícias cada vez mais otimistas sobre as negociações do Brexit, enquanto este último beneficiou da subida dos preços do petróleo e da perceção de que a Administração Trump não está mais perto de se retirar do acordo NAFTA.

A semana que se inicia será bastante preenchida, nomeadamente com as reuniões do Banco do Japão (terça-feira) e do Banco Central Europeu (quinta-feira). Além disso, serão publicados os dados provisórios dos índices de atividade empresarial PMI na Zona Euro e do PIB do quarto trimestre nos EUA. As questões políticas também deverão criar alguma volatilidade em ambos os lados do Atlântico, enquanto se aguarda a confirmação de um acordo para reabrir o Governo federal nos EUA e, possivelmente, o anúncio do novo Governo na Alemanha.

EUR

Não há muito a relatar sobre a Zona Euro na passada semana. O Euro transacionou num intervalo muito estreito face ao Dólar dos EUA, já que as notícias desfavoráveis para o Dólar sobre a paralisação do Governo federal norte-americano foram mais ou menos compensadas pela falta de progresso nas negociações para a formação de um governo de coligação na Alemanha.

A semana que agora se inicia será decisiva para o Euro. A reunião do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, é a primeira oportunidade para ouvir um comentário institucional oficial sobre a valorização do Euro desde o início de 2018. Embora os dados provisórios dos índices de atividade empresarial (PMI) devam confirmar a solidez da economia da Zona Euro, a força da moeda não contribuirá em nada para fazer subir a inflação até à meta fixada pelo BCE. Os números de dezembro foram mais uma grande deceção, com a inflação subjacente a manter-se abaixo do nível de 1%, sem evidenciar qualquer tendência de subida. Em qualquer caso, espera-se uma volatilidade significativa em torno do momento da declaração e da conferência de imprensa, na quinta-feira à tarde.

GBP

O consenso pessimista que se formou contra a Libra em 2017 continua a dissipar-se. Os mercados estão cada vez mais confiantes de que o pior cenário que havia sido estimado já não é assim tão provável. A confirmar tal perspetiva, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou numa entrevista que um acordo “feito à medida” é desejável e possível. Os números baixos das vendas a retalho de dezembro, publicados na passada sexta-feira, vieram abrandar um pouco o movimento de valorização da Libra. Aguarda-se que os dados do mercado de trabalho e do PIB, divulgados esta semana, venham confirmar ou contrariar a mensagem negativa dos números das vendas a retalho.

USD

Os principais dados económicos desta semana – as primeiras estimativas do PIB do quarto trimestre – só serão publicados na sexta-feira. Por conseguinte, o mercado do Dólar passará a semana a acompanhar a evolução da situação política relacionada com a paralisação do Governo Federal. Por outro lado, os números do PIB deverão constituir uma surpresa positiva, excedendo por larga margem os 3%, graças à força do consumo interno e do investimento. Acreditamos que um bom resultado nesta matéria e a resolução do atual impasse político poderão desencadear uma subida do Dólar, em contra-tendência, tendo em conta que as posições assumidas pelos operadores de mercado na valorização do Euro estão agora muito “esticadas”.

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Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.