Euro segura ganhos obtidos durante as férias e ativos de risco apresentam fortes ganhos a nível mundial

Enrique Díaz-Álvarez08/Jan/2018Análise do Mercado de Câmbios

A negociação durante os feriados em mercados tipicamente menos consistentes não foi benéfica para o Dólar, penalizado por uma forte pressão vendedora na derradeira semana do ano. Na primeira semana de 2018, assistiu-se a uma negociação dentro do intervalo na Libra, Euro e Dólar dos EUA e a uma valorização significativa de quase todas as principais moedas dos mercados emergentes. Num contexto de otimismo crescente na aceleração sincronizada da economia a nível mundial, os investidores apoderaram-se de ativos de risco, como ações e matérias-primas, o que suportou a maior parte dos mercados emergentes, conduzidos pelas moedas da América Latina em geral e pelo Peso colombiano em particular.

A agenda desta semana está pouco preenchida. Assim, a atenção dos operadores de mercado volta-se, na terça-feira, para os dados do emprego da Zona Euro, na quinta-feira para as atas da reunião de dezembro do BCE e, na sexta-feira, para os números da inflação dos EUA. A inflação subjacente anual norte-americana não conseguiu passar dos 1,7% em 6 dos últimos 7 meses. As expectativas de consenso não antecipam alterações, pelo que uma evolução em qualquer um dos sentidos criaria provavelmente alguma volatilidade na negociação do Dólar.

GBP

Com pouco a assinalar na agenda para o Reino Unido, quer esta semana quer na semana passada, a Libra Esterlina continuará a transacionar com base em eventos externos, seguindo de perto o Euro face ao Dólar dos EUA. Na passada semana, a pequena revisão em alta do indicador de atividade empresarial PMI compósito para uns sólidos 58,1 pontos parece confirmar que a melhoria sincronizada da economia mundial deverá favorecer o Reino Unido, pelo menos no curto prazo. É de esperar uma pausa nas notícias sobre o Brexit até ao fim de janeiro, quando a reunião do Conselho de Assuntos Gerais da União Europeia deverá clarificar o mandato da Comissão para as futuras conversações. Os dados da produção industrial de novembro, publicados esta quarta-feira, deverão dar algumas indicações sobre o estado da economia britânica, com as expectativas do consenso a apontar para mais um aumento consistente.

EUR

Esta semana, também a Zona Euro apresenta uma agenda de notícias macroeconómicas pouco preenchida. A publicação das atas da reunião de dezembro do Banco Central Europeu (BCE) deverá, todavia, fornecer as tão necessárias indicações sobre a perspetiva do Conselho. A dicotomia entre crescimento forte e inflação fraca continua sem solução à vista. Na passada semana, os dados da inflação subjacente ficaram novamente aquém das expectativas do consenso, permanecendo abaixo de 1% pelo terceiro mês consecutivo. No entanto, o índice de atividade empresarial PMI compósito subiu e atingiu mais um máximo do ciclo, ainda que sem qualquer impacto percetível na trajetória da inflação subjacente.

USD

O relatório do mercado de trabalho norte-americano, referente ao mês de dezembro, apresentou números de criação de emprego ligeiramente dececionantes, mas os restantes dados do relatório foram razoavelmente animadores. Os 148.000 novos postos de trabalho criados ficaram um pouco aquém do esperado, mas tal é provavelmente um sinal de que o mercado norte-americano atingiu o pleno emprego e o crescimento dos salários está a ficar cada vez mais difícil em muitos setores de atividade. Uma vantagem a longo prazo é a manutenção do nível de participação da população ativa, não obstante o envelhecimento da geração Baby Boom. Em suma, o relatório não altera significativamente o panorama de um mercado laboral com pouca folga, sem (até agora) qualquer aceleração da pressão sobre os salários.

O destaque desta semana vai para a publicação do relatório da inflação, na sexta-feira. Qualquer subida do atual nível de 1,7%, que se manteve durante quase todo o ano de 2017, aumentaria significativamente as probabilidades de se verificarem quatro aumentos das taxas de juro da Reserva Federal.

Imprimir

Escrito por Enrique Díaz-Álvarez

Diretor de Risco da Ebury. Responsável pela gestão estratégica e análise do mercado de câmbios para a empresa e seus clientes. Enrique é reconhecido pela Bloomberg como um dos analistas mais precisos e exactos nas suas previsões de câmbios.